Sem a menor pretensão de me comparar com o mestre Bandeira, é assim que escrevo - quando escrevo. Pois, só acontece em momentos de extremadas sensações que me impulsionam a procurar na técnica e nas palavras a expressão que definiria um sentimento de partida.
Alguém que só é capaz de escrever quando se volta para si e, portanto, sempre compõe uma espécie de poesia modernista com uma pitada neo-ultraromantica, talvez surrealista, onírica decerto.
Há quem defenda que tudo, após o modernismo é poesia. Tudo pode ser escrito. Talvez! Deve-se preservar, de alguma maneira a técnica, a sonoridade. Poesia sem musicalidade é prosa.
Desse modo não sei se poderia ser chamado de poesia. De fato é tudo muito pobre, a começar pelas rimas. Isso se dá desde os sonetos, até as formas mais livres e concretas, porém tomo o cuidado (talvez o único) de conseguir alguma musicalidade conivente ao que quero expressar. Ora um tic tac de um relógio, ora o estilhaçar de folhas secas ou até mesmo o barulho da chuva na janela... aliterações e assonâncias quase imperceptíveis.
Outono
Sóbrias folhas, que não colhes
secas caem no chão. Amassa, estilhaça, corrói e destrói.
Palhaça.
Caco.
Florece um traço, aquece, estremece, emudece...
Enlouquece.
Sóbrias folhas, que não colhes
secas caem no chão. Amassa, estilhaça, corrói e destrói.
Palhaça.
Caco.
Florece um traço, aquece, estremece, emudece...
Enlouquece.
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